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Papa critica Israel e diz que Jerusalém está sendo “ferida pelos homens”

Encontro para debater a paz no Oriente Médio pede que Israel reconheça a Palestina

O papa Francisco liderou o encontro ecumênico em favor da paz no Oriente Médio neste sábado (7), na cidade de Bari, sul da Itália. O evento teve dois momentos, uma celebração religiosa, onde a homilia ficou a cargo do pontífice, e uma reunião a portas fechadas, onde a imprensa não teve acesso.

A fala do pontífice foi cifrada, ao mesmo tempo que fez condenações sobre a situação de guerra naquela parte do mundo, evitou nomear quem seriam os responsáveis. Mesmo um ouvinte atento, precisa se esforçar para entender as correlações.

O local escolhido foi a igreja que guarda as relíquias de “São Nicolau”, venerado tanto pela Igreja Católica quanto pelos ortodoxos, que enviaram representantes de primeiro escalão para o encontro. Conta a tradição que Nicolau foi um bispo na Ásia Menor (atual Turquia) que costumava distribuir comida os necessitados, dando origem – séculos depois – à fugira mítica do Papai Noel.

O papa decidiu reunir cerca de 20 bispos católicos e patriarcas ortodoxos para, segundo o Vaticano, uma reflexão sobre a “dramática situação” no Oriente Médio, que “aflige tantos irmãos e irmãs na fé”. No que classificou de admoestação, Francisco disse que estavam ali para rezar pela paz e lembrar “das nossas Igrejas, dos povos e das inúmeras pessoas que vivem em situações de grande sofrimento”.

Ao falar da perseguição aos cristãos no Oriente Médio, mandou um recado, dizendo: ‘Estamos com vocês”. Destacou ainda que “naquela esplêndida região, adensou-se, especialmente nos últimos anos, uma espessa cortina de trevas: guerras, violências, destruições, ocupações, fundamentalismos, migrações forçadas e abandono… Tudo isso sob o silêncio de tantos e a cumplicidade de muitos. Ali, a presença de nossos irmãos e irmãs na fé corre grande risco”.

O papa também ressaltou que o desaparecimento dos cristãos iria “desfigurar a própria face da região, pois um Oriente Médio sem cristãos não seria o Oriente Médio”.

Contudo, não nominou quem são os responsáveis pelos fundamentalismos, mantendo seu costume de nunca denunciar os radicais islâmicos mesmo que, comprovadamente, são eles quem procuram exterminar os cristãos e outras minorias na região.

Críticas a Israel

Prosseguiu dizendo: “Hoje, rezamos unidos, para implorar do Senhor aquela paz que os poderosos da terra ainda não conseguiram encontrar. Que ressoe o grito do salmista ‘reine a paz entre vocês’, entre os irmãos que sofrem e todos os povos e crenças, de modo especial, para Jerusalém, Cidade Santa amada por Deus e ferida pelos homens!”.

Novamente evitando citar nomes, deixa subentendido que, ao falar sobre a situação de Jerusalém, refere-se a posição do governo de Israel, que se nega a entregar a porção Oriental como capital de um futuro Estado da Palestina, algo defendido por Francisco em outras ocasiões.

Em um segundo momento, o líder máximo dos católicos deixou mais clara sua crítica a Israel, enfatizando que: “Não são as tréguas, com a construção de muros e provas de força, que trarão a paz, mas a escuta e o diálogo”. Para e seguida, fazer um apelo contundente: “Basta com as ocupações de terras, que dilaceram os povos!”.

O muro ao qual ele se referiu é o construído pelo governo de Israel para delimitar claramente a fronteira com os territórios palestinos. Curiosamente, o Vaticano foi parcialmente cercado por muros no século 9, por ordem do papa Leão IV e continuam em pé até hoje.

A parte sobre “ocupações de terra” ecoa o discurso histórico da Autoridade Palestina sobre a presença de israelenses nos territórios disputados.

Os eufemismos foram deixados de lado por Francisco quando asseverou: “Somente uma solução negociada, entre Israelenses e Palestinos, firmemente desejada e favorecida pela Comunidade das Nações, poderá contribuir para uma paz estável e duradoura e garantir a coexistência de dois Estados para dois Povos”.

Com informações de Reuters e Vatican News

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