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Facebook classifica usuários por “confiabilidade

Um dos episódios de maior sucesso do seriado Black Mirror, da Netflix, mostrava uma sociedade distópica onde cada pessoa recebia uma ‘avaliação’ – através de um aplicativo – pelo seu comportamento social. Isso lhe traria vantagens ou desvantagens na vida cotidiana.

A decisão recente do Facebook em classificar seus usuários, atribuindo maior ou menor peso à sua confiabilidade mostra que isso não parece mais algo restrito à ficção. Depois de ter dado poderes a agências de “checagem”, que no Brasil já mostraram ter um claro viés ideológico “à esquerda”, a maior rede social do mundo agora passará a atribuir uma nota maior àquelas pessoas autoras de uma denúncia de “fake news”. Essa seria uma forma velada de censura, uma vez que não há transparência no processo.

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O jornal The Washington Post revelou nesta terça-feira, citando uma executiva da empresa, que o Facebook desenvolveu o sistema de classificação no ano passado. Tessa Lyons, a encarregada dos esforços da empresa para identificar os usuários mal-intencionados, menciona que há uma escala de zero a um, a partir do compartilhamento de notícias falsas.

A iniciativa seria uma maneira da rede social evitar que informações mentirosas viralizem na web. Através de algoritmos, a plataforma também irá monitorar quais usuários tendem a notificar conteúdos impróprios e quais são as publicações consideradas seguras por eles. Tais dados são usados como amostragem para definir um “parâmetro de reputação”.

A empresa até agora optou por não remover publicações identificadas como “notícia falsa”, mas reduz o seu alcance.

Porém, o histórico recente do Facebook mostra que sua tentativa de impedir as notícias falsas é ineficaz ao mesmo tempo em que a empresa vem deliberadamente eliminando o alcance de páginas conservadoras ou simplesmente eliminando perfis acusados de “fake news”. Em nenhuma das ocasiões a rede conseguiu mostrar de fato o que os usuários banidos estariam fazendo para violar as regras de uso.

Outro processo sabidamente usado pela empresa é o shadow banning, onde apesar de algumas páginas terem centenas de milhares de seguidores, acabam sendo vistos por uma fração insignificante deles.

Em abril, o CEO Mark Zuckerberg admitiu no Congresso dos EUA que sua rede é mais identificada com a esquerda.

Especialistas avaliam

Vários especialistas consultados pelo Christian Post se manifestaram sobre sua desconfiança em relação a essa nova ferramenta, já que os usuários não terão como saber sua pontuação ou contestá-la.

“Não sabemos como [o Facebook] está nos julgando e isso nos deixa desconfortáveis”, disse Claire Wardle, diretora da empresa norte-americana de checagem de fatos First Draft. “A maior ironia é que eles não podem nos dizer como estão nos julgando – porque, se eles fizerem os algoritmos que construíram seriam expostos”

Bernie Hogan, do Instituto de Internet de Oxford, Inglaterra, disse que a metodologia do Facebook gera preocupações. “Veja essa analogia de pontuação de crédito… a confiabilidade do Facebook não é regulamentada e não temos como saber qual é nossa pontuação ou como contestar”, lamenta.

“O Facebook não é um ator neutro e, apesar de qualquer material divulgado em contrário, sua intenção é administrar dados dos usuários por lucro”, assevera.

Ailidh Callander, advogada e defensora dos direitos civis na Privacy International, acrescentou que este é “mais um exemplo do Facebook usando dados das pessoas de uma maneira que eles não esperariam que ocorresse, o que prejudica ainda mais a confiança das pessoas no Facebook”.

Com informações: gospelprime

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